Jacó E Jacozinho 76 (CONTINENTAL 103405216) - (1976) - Jacó e Jacozinho

Paranapanema
Depois que eu vim-me embora teve um alguém que chorou
O rio Paranapanema derramou, derramou, derramou

No rio Paranapanema estou morando bem na beira
Estou morando aqui embaixo meu amor na cabeceira
De vez em quando ela chora por mim a semana inteira
Eu conheço pelas águas que descem da corredeira

Depois que eu vim-me embora teve um alguém que chorou
O rio Paranapanema derramou, derramou, derramou

Mesmo que eu viva distante o nosso amor não tem fim
O rio Paranapanema que traz recado pra mim
Quando o rio está baixando entre as moitas de capim
É sinal que meu amor não está pensando em mim

Depois que eu vim-me embora teve um alguém que chorou
O rio Paranapanema derramou, derramou, derramou

O rio Paranapanema já conhece o meu drama
Ele sabe que eu te amo e sabe que ela me ama
Nosso amor é proibido nós dois sofre e não reclama
Quando eu choro e ela chora o rio Paranapanema derrama

Tropa Saudosa
No tempo que eu fui tropeiro tudo foi felicidade
Eu tratava com carinho a minha tropa de qualidade
Nos lugares que eu passava causava curiosidade
Acabou aquela lida acabou minha vaidade
Daquela saudosa tropa conhecida até na Europa hoje só resta saudade

Me lembro do burro preto e também da bailarina
Da minha besta ruzia e da saudosa grã-fina
Lembro e tenho saudade da tordilha campolina
No lombo desse mulão eu atravessei Nova Londrina
Eu só tive bons produtos com o meu cavalo enxuto ganhei aquela menina

Com o meu cavalo preto eu lidava com a boiada
Na chincha da mula baia arrastei boi da invernada
E o meu burro picaço foi o campeão da estrada
A minha mulinha branca eu não vendi nem por nada
Minha tropa era elegante fiz proeza importante com minha besta adorada

Com o meu cavalo branco eu passeava fim de semana
Com o meu zaino na raia eu ganhava muita grana
Hoje só resta saudade daquela tropa bacana
Só pude guardar o arreio e aquela linda baldrama
Lá no fundo da gaveta a foto da mula preta e também da besta ruana

Dois Milagres
Cheguei de viagem já estou de partida
Já faz muitos anos que levo esta vida
Mas nunca esqueço na minha saída
De fazer pedido pra Santa querida
A nossa carreira está bem protegida
Por Nossa Senhora Aparecida

Lá no Paraná fomos desastrado
O carro tombou no asfalto molhado
Deus é nosso guia tem nos ajudado
Um grande milagre ninguém machucado
A Nossa Senhora está do nosso lado
Chegamos na praça com a carro amassado

Saímos de noite com chuva e trovão
No estado de Minas pela escuridão
Um caminhão grande vinha contramão
Caímos debaixo de um pontilhão
Foi mais um milagre estamos vivos e sãos
Não um dedo dos quatro irmãos

Viver viajando é nossa profissão
Tocar e cantar e meu ganha pão
Nossa ferramenta não machuca as mãos
Precisa cuidado e muita atenção
A Nossa Senhora é nossa proteção
Jesus Cristo mora em nosso coração

Tomara Que Chova Hoje
Eu vou pedir tomara que chova hoje
Chova bastante e dê uma enchente no rio
O rio enchendo ela volta com as bagagens
Não tem passagem pro meu amor que partiu

Briguei com ela tá nervosa desde ontem
O nosso amor agora secou a fonte
Por isso eu peço tomara que chova hoje
E a enchente tomara que leve a ponte

Estou contente vendo a chuva cair
O rio tá cheio tá cobrindo os bacuris
Ela vai ter que voltar pra nossa casa
Não tem passagem ela não tem pra onde ir

Eu vou pedir tomara que chova hoje
Chova bastante e dê uma enchente no rio
Eu vou pedir tomara que chova hoje
Chova bastante e dê uma enchente no rio

Tira E Põe
Eu ponho carta pra ela tiro carta do correio
Ponho fim no sofrimento vou tirar o meu receio
Ponho as armas na cintura tiro e faço bombardeio
Ponho tudo pra correr tiro a turma do bloqueio
Ponho a minha mão no fogo e tiro a moça lá do meio.

Eu ponho o meu pé na cova mas eu tiro essa donzela
Ponho o burro na estrada tiro a trava da cancela
Ponho o macho na calçada tiro a moça pra janela
Ponho a moça pra casar tiro a moça da capela
Eu vou por meu sobrenome tiro o sobrenome dela

Eu ponho fogo na casa mas tiro a moça comigo
Ponho a moça na garupa tiro dos meus inimigos
Ponho a moça em meu regime tiro do regime antigo
Ponho a moça em liberdade tiro a moça do castigo
Ponho a moça do meu lado e tiro a moça do perigo

Ponho vela pra queimar vou tirar esse malfeito
Ponho meu sogro na linha vou tirar seu preconceito
Ponho bala nos capangas tiro a moça do meu jeito
Ponho a vida no perigo vou tirar um bom proveito
Ponho a moça lá em casa tiro a tristeza do peito

Vira Vira
A moça quando é bonita vira a cabeça da gente
Eu também virei a minha e virei foi de repente
A moça virou e me disse tenho outro pretendente
Seu noivo chegou na hora e virou uma serpente
A moça virou dizendo gosto de homem valente

Nós viramos numa briga foi no pé e foi no braço
O rapaz virou uma foice pra me virar em pedaços
Eu virei que nem foguete dei uma volta no espaço
Eu virei por cima dele para não virar bagaço
Quando ele virou ferro eu virei bala de aço

O rapaz virou uma onça o terror lá do sertão
Eu virei um caçador meu braço virou um facão
O rapaz virou paçoca eu virei mão de pilão
Ele quis virar um galo eu virei um gavião
Quando ele virou gato caiu na boca do leão

Nesse dia eu me virei pra mostrar o meu valor
A moça também virou pro lado do vencedor
No mundo que vira vira a menina é meu amor
Eu virei a minha casa num jardim encantador
A moça virou uma rosa eu virei um beija flor

O Carro E A Gravadora
Eu comparo as gravadoras das marcas mais afamadas
Comparo um carro de boi os violeiros e a boiada
Trabalhamos com a cabeça e a viola bem afinada
Puxando o carro cantamos as nossas lindas toadas
Se pararmos de cantar fica no meio da estrada o carro não termina a jornada

O carro e a gravadora é a comparação que digo
O nosso bom diretor é o nosso carreiro amigo
Contrata violeiro bom conservar violeiro antigo
Puxar o carro sozinho é difícil não consigo
Divulgador é o candeeiro faz força junto comigo o nosso carro roda sem perigo

Nosso carro vem lotado com produtos de valor
O nosso produto vende no Brasil e no exterior
O nosso carro não traz tristeza mágoa e dor
O nosso carro carrega saúde, paz e amor
Responsável pela carga é o nosso compositor o nosso carro roda na paz do Senhor

Último Adeus
Vem a aurora raiando distante vou-me embora daqui soluçando
Teu amor para outro pertence não convém mais ficar esperando
Se teus lábios ingratos eu pudesse despedindo uniram-se aos meus
Nesta valsa sentida que eu canto ouvirias baixinho meu último adeus
Adeus talvez não te vejo mais se ouvir dentro da noite os meus ais
Não procure saber por que choro e depois se souber que eu morri
Não lastimes que a morte é um alívio e a vida é tão triste ausente de ti

Vi de branco com outro ao seu lado quando a escada da igreja descia
Era a noiva mais linda da tarde e eu era o que mais padecia
O seu véu e a grinalda de flores aumentavam os encantos seus
Vendo o povo lhe dar parabéns compreendi que era aquele o meu último adeus
Adeus talvez não te vejo mais se ouvir dentro da noite os meus ais
Não procure saber por que choro e depois se souber que eu morri
Não lastime que a morte é um alívio e a vida é tão triste ausente de ti

Rio Pari
Não é lá no fim do mundo é bem pertinho daqui
Meu sitinho faz divisa nas margens do rio Pari

Meu sítio é minha morada não posso sair de lá
Quando eu penso em sair dá vontade de voltar
Três coisas que eu mais adoro eu tenho dó de deixar
Minha vaca e meu cachorro e meu gatinho angorá

Não é lá no fim do mundo é bem pertinho daqui
Meu sitinho faz divisa nas margens do rio Pari

Meu sitinho é minha vida onde bebo águia pura
O churrasco vem pingando amarelo de gordura
A mandioquinha cozida a salada de verdura
A  minha esposa sincera é um anjo de candura

Não é lá no fim do mundo é bem pertinho daqui
Meu sitinho faz divisa nas margens do rio Pari

Amigo Lavrador
Meu amigo lavrador aqui vai o meu pedido
Não abandone a lavoura nem o meu sertão querido
Aqui na cidade grande tem gente desiludido
Abandonaram a lavoura estão muito arrependido

Eu conheço alguns caboclos é bem verdade o que falo
Abandonaram o sertão e o lindo cantar do galo
Mas deram com os burros nágua estão cheio até o gargalo
Mudaram para a cidade mas caíram do cavalo

Eu ainda vou voltar viver junto dos meus pais
Quem vive lá no sertão sempre vive muito mais
Bem longe da poluição perigo das capitais
Eu quero encontrar de novo saúde, amor e paz

Não abandone a lavoura por menor que ela seja
A cidade é muito linda mas não é flor que se beija
Tudo que ganha se gasta é bem mais dura a peleja
Pois a vida mais gostosa é a vida sertaneja

Pavão Do Reino
Adeus vales de água cristalina verdes campinas das invernada
Adeus casa do alto da serra a floresta da passarinhada
Com paixão e sentimento eu digo adeus moreninha da feição corada
Minha vida vai ser muito triste porque terminei com minha namorada

Muito tempo eu fui teu amor para mim não me faltava nada
Eu mandava cartinha pra ela recebia resposta selada
Pois eu tinha prazer quando eu lia cartinha escrita por mãos delicada
E conforme a resposta que eu lia se eu tava nervoso eu já dava risada

Quando era para mim te ver enfrentava até chuva pesada
Caminhava três léguas por hora assobiando e cantando na estrada
Eu saía na sexta de tarde voltava na segunda de madrugada
Pra te ver eu saía contente voltava nervoso por deixar minha amada

Hoje eu vivo que nem um craveiro no degredo judiado com a geada
Atacado de tanta saudade meu coração da fortes pancadas
Hoje em dia eu não caso mais você moreninha que foi a culpada
Impossível ainda fazer roda um pavão do reino com as asas quebradas

Chumbo Quente
Vou contar a minha história de amor
Podes crer que este fato aconteceu
Pedi a mão da menina mas o velho não meu deu
Resolvi fugir com ela e a menina obedeceu
Antes de cantar o galo joguei ela no cavalo sai sem dizer adeus

O pai da moça arranjou uma quadrilha
De boiadeiro e capanga bem armado
Mas não quero tiroteio a moça está do seu lado
Eu quero que pegue a unha e me traz ele amarrado
É assim que a gente ensina esses ladrão de menina surro de laço dobrado

Eu viajava com a moça na garupa
Os capangas me agarraram de repente
Eu sem nem um canivete lá na unha dos valentes
Eu vi na mão da menina um para-belo reluzente
Todos correram de medo a moça puxava o dedo e o chumbo saia quente

Mas o velho apelou para justiça
Com muito jeito a polícia me prendeu
Só pra me ver na prisão dinheiro o velho moeu
Eu não tinha advogado a menina defendeu 
O amor foi mais valente menina seu chumbo quente aquele dia me valeu

Músicas do álbum Jacó E Jacozinho 76 (CONTINENTAL 103405216) - (1976)

Nome Compositor Ritmo
Paranapanema Jacó / Jacozinho Polca
Tropa Saudosa Sulino / Moacyr Dos Santos Rasqueado
Dois Milagres Jacozinho Rasqueado
Tomara Que Chova Hoje Moacyr Dos Santos / Jacozinho Corrido
Tira E Põe Lourival Dos Santos / Moacyr Dos Santos Pagode
Vira Vira Lourival Dos Santos / Moacyr Dos Santos Cururu
O Carro E A Gravadora Moacyr Dos Santos / Sebastião Victor Cateretê
Último Adeus José Fortuna / Fernandes Rancheira
Rio Pari Moacyr Dos Santos / Jacozinho Rojão
Amigo Lavrador Moacyr Dos Santos / Jacozinho Rasqueado
Pavão Do Reino Moacyr Dos Santos / Jacó Querumana
Chumbo Quente Moacyr Dos Santos / Jacozinho Rojão
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