Semente No Chão

Semente No Chão - João Vilarim

Seu moço já puxei cabo de enxada, fiz a roça fiz queimada no alto do chapadão
Seu moço já plantei roça de milho, de arroz, feijão de trigo para não faltar o pão
Seu moço fiz da seca o alicerce, do suor fiz minha prece, de meus filhos a razão
Na tapera fiz meu reino, fiz meu mundo, minha moça olhar profundo, meu esteio meu mourão

Seu moço tive gado na invernada, comitiva desgarrada, fui ponteiro, fui peão
Seu moço tirei boi da arribada, fui berrante, fui boiada, fui um cocho sem ração
Seu moço bebi leite na mangueira, fui doutor, fui a "parteira”, fui marcado de ferrão
Do curral fiz meu lar fiz minha estância, fiz do estrume a fragrância, fiz do pasto meu rincão

Seu moço já ganhei muito dinheiro lançando boi pantaneiro, em cima de redomão
Seu moço, já montei em touro brabo em picadeiro fui palhaço, de rodeio campeão
Seu moço já fui cela, fui arreio, fui roseta, fui tropeiro, fui sedem, fui esporão
Do laço fiz o rumo minha história, dos pialos fiz vitórias, da arena uma paixão

Seu moço os caminhos as estradas, que por mim foram trilhadas, não vivi de ilusão
Seu moço de tudo que foi um dia, fui tristeza, alegria, fui poesia, inspiração
Seu moço trago os dedos calejados, não de enxada nem machado, de minha voz uma canção
Do palco fiz de um sonho minha lira, minha viola caipira, a semente de meu chão

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