Os Reis Da Moda De Viola (LPITAM 2067) - (1981) - Abel e Caim

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Velho pe√£o
Levantei um dia cedo sentei na cama chorando
Meu velho tempo de pe√£o nervoso eu fiquei lembrando
Senti uma dor no peito igual brasa me queimando
Ouvi uma voz l√° fora parece que me chamando
Eu tive um pressentimento que a morte na voz do vento ali estava me rondando
 
Eu saí lá pro terreiro lembrei nas glórias passadas
Me vi montado num potro galopando as invernadas
Também vi um lenço acenando de alguém que foi minha amada
Que h√° tempo se despediu pra derradeira morada
Tive um desgosto medonho ao ver que tudo era um sonho e hoje eu n√£o sou mais nada
 
Pobre de quem nesta vida na velhice n√£o pensou
Ao me ver velho e doente um filho me amparou
Recebo tanta indireta da nora que n√£o gostou
E meu netinho inocente chorando j√° me falou
A mamãe já deu estrilo diz que aqui não é asilo, mas eu gosto do senhor
 
Neste meu rosto cansado queimado pelo mormaço
Duas l√°grimas correram espelho do meu fracasso
√Č o pr√™mio de quem na vida n√£o quis acertar o passo
Abri os olhos muito tarde quando eu já era um bagaço
Vejam s√≥ a situa√ß√£o, ai de que foi o rei dos pe√Ķes hoje n√£o pode com um la√ßo
 
À Deus eu fiz uma prece pedindo pros companheiros
Que perdoe todas as faltas deste pe√£o velho estradeiro
Quando eu deixar este mundo meu pedido derradeiro
Desejo ser enterrado na sombra de um anjiqueiro 
Pra ouvir de quando em quando as boiadas ali passando e os gritos dos boiadeiros

Folha da espada
Morena dos olhos pretos da sobrancelha serrada
H√° tempo n√£o vejo mais rosa branca serenada
O tempo que eu te amei levava a vida contada
N√£o respeitava chuva e nem noite de geada
Hoje nada me conforta sua saudade me corta parece folha de espada

Morena voz n√£o se lembra da nossa vida passada
Lá na sombra da jaqueira onde você era beijada
Que seu pai um dia viu pra me matar n√£o faltou nada
Precisei usa um truque com a mania marcada
Na hora virei um rei seu pai meu jogou um três eu matei com o ás de espada

Morena por te amar minha penas s√£o dobradas
Eu n√£o posso resistir a dor que meu peito guarda
Meu sangue ferve nas veias, meu coração muda a pancada
A tristeza com a saudade no meu peito fez morada
Meu viver n√£o tem mais jeito a saudade fere o peito parece folha de espada

Eu recebi sua carta com notcia que me agrada
E só mesmo desse jeito que minha dor será aliviada
Amanh√£ vou te buscar, vou fazer uma madrugada
Na garupa do meu baio voc√™ vai vir "amontada‚ÄĚ
Nem que seja pra morrer ou ver meu sangue correr sobre a folha da espada
 
O milagre do retrato
Meu pai morava comigo quando nasceu meu filhinho 
Ele ficou t√£o contente por ter aquele netinho
Foi ele quem ensinou a dar os primeiros passinhos 
O menino foi crescendo com tanto amor no velhinho
Que somente ele dormia, ai, ai, no colo do vovozinho

Mas quando ele fez dois anos meu velho pai faleceu 
O menino sentiu tanto que também adoeceu
Com a tal paralisia certo dia amanheceu 
Não podia mais andar suas pernas enfraqueceu 
Deitado em sua caminha, ai, ai, chamava pelo av√ī seu

Foi aí que eu lembrei de uma fotografia 
Peguei e dei pro menino pra ver se ele se entretia
Quando ele viu o retrato até chorou de alegria 
Apertando sobre o peito estas palavras dizia
Meu querido vovozinho, ai, ai, h√° quanto tempo eu n√£o via

Com toda sua inocência falava pro retratinho 
Volta de novo comigo meu querido vovozinho
Depois que o senhor foi embora eu fiquei aleijadinho 
√Č grande meu sofrimento eu n√£o sei andar sozinho
Volte de novo comigo, ai, ai, pra guiar os meus passinhos.

E naquele mesmo instante meu filho se levantou 
Com o retrato na m√£o pelo quarto ele andou
Naquela fotografia Duas lágrimas brotou 
Ainda depois de morto meu querido pai chorou
Mas graças a um milagre, ai, ai, o meu filhinho sarou 

Fita verde
Ganhei uma fita verde fiz dela um lindo laço
Pra enfeitar minha viola eu amarrei ela no braço
Quando lembro meu passado a saudade fez ameaça
Quando a viola soluça minha voz vibra no espaço

Onde eu vou levar a viola com essa fita amarrada
Pra lembrar de alguém que foi minha namorada 
Todo mundo me pergunta mais eu n√£o respondo nada
Quem quiser que compreenda minha sina marcada

Cor de rosa é amor, o branco é desengano
O azul é a felicidade pra quem vive namorando
A cor verde, a esperança que eu vivo esperando
Sem lembrar que o tempo passa e a velhice vem chegando

Por eu ter sofrido muito resolvi mudar meus planos
N√£o quero saber de amor vou viver no desengano
Uma coisa eu peço a Deus, que no céu tá me escutando
O prazer maior da vida é se eu morrer cantando

Berrante assassino
Na minha sala de pintura amarela 
Representando a florada do ipê do meu sertão 
Conservo ainda um berrante volteado 
√Č lembran√ßa do passado do meu tempo de pe√£o, ai

Desde pequeno só viajei com boiada 
Passei meses na estrada de alegria e desengano 
E deste caso bem me lembro como foi 
A façanha de um boi que chamava Soberano, ai

Faz muito tempo, mas o mês ainda lembro
Foi bem no fim de setembro quando a boiada estourou 
Lá em Barretos meio dia escureceu 
O Soberano venceu um garotinho ele salvou, ai

O seu paizinho comprou ele da boiada 
Levou pra sua invernada que de velhinho morreu 
O filho moço correu o Brasil inteiro 
Procurando o boiadeiro e o chifre do boi lhe deu, ai

Eu deste chifre mandei fazer um berrante 
Para ser meu ajudante nos transporte de boiada 
O mesmo chifre que salvou este menino 
√Č o berrante assassino desta saudade malvada, ai

O poder da fé
Essa história eu vi contar fiquei muito admirado
Compreendi que era um milagre que ali tinha se dado
Numa farm√°cia da vila duas senhoras chegou
Entregaram uma receita o farmacêutico pegou
Quando trouxe o remédio na entrega se enganou, ai, ai

Quando a senhora saiu foi ent√£o que ele lembrou
Que um vidro era veneno que na entrega ele trocou
Compreendendo a situação que podia resultar
Em desespero saiu pela rua a procurar
Aquelas duas senhoras pra seu engano explicar, ai, ai

Não encontrando ninguém pra farmácia ele voltou
Com a consciência pesada no escritório entrou
E abrindo uma gaveta um aimagem ele encontrou
Era a Senhora Aparecida a quem ele implorou
Que salvasse o inocente e também ele que errou, ai, ai

A mulher chegou em casa com o remédio trocado
Foi ver seu filho doente quando ouviu um chamado
Voltando pra ver quem era na escada escorregou
E o vidro que lavava da sua m√£o escapou
Batendo no cimentado só os pedaços ficou, ai, ai

E a pobre m√£o aflita pra farm√°cia ent√£o voltou
E contando para ele tudo quanto se passou
O pobre homem chorando nesta hora compreendeu
Que a sua oração Nossa Senhora atendeu
Salvando dois inocentes o poder da fé valeu, ai, ai

Menino boiadeiro
Viajando com boiada l√° pro sert√£o de Goi√°s
Vi um menino boiadeiro e conheci certos sinais
Perguntei pelo seu nome e quem era o seus pais
Ele respondeu sorrindo, ai, ai
Sou filho de Ouro Fino eu vim l√° de Minas Gerias

Há muitos anos passados foi no mês de fevereiro
Eu deixei o meu povoado e fugi com um boiadeiro, ai
E deixei a minha terra querido estado mineiro
Sei que mam√£e tem sofrido, ai, ai
Pesando de eu ter morrido num chifre de um pantaneiro

Menino preste atenção no que agora eu vou falar
V√° rever sua m√£ezinha que n√£o cansa de chorar
O meu laço e o berrante de presente eu vou lhe dar
Seremos dois boiadeiros eu serei teu companheiro se meu conselho escutar

Obrigado boiadeiro você mudou meu destino
Hoje mesmo eu sigo viagem pro sert√£o de Ouro Fino, ai
Abraçar minha mãezinha que no mundo eu muito estimo
Desde esse dia em diante, ai, ai,
Sempre se ouvia o berrante com a volta do menino

Castigo de amor
Conheci um marceneiro l√° em Campo de Mour√£o
Por ser um rapaz direito e grande na profiss√£o
Era noivo de aliança com a filha do patrão
E por esta criatura ele tinha adoração
Mas o malvado destino veio na perseguição, ai

Tudo isso aconteceu num costume que pegou
Pra colocar as correias no desligava o motor
E foi num desses momentos que sua m√£o escapou
Imprensando na polia o seu braços decepou
E pro seu resto de vida aleijado ele ficou, ai

Daquele santo patr√£o continuou sendo empregado
Mas de quem ele tanto amava ele foi abandonado
A moça falou pra ele vamos romper o noivado
Não me caso com você por que agora está aleijado
Se conforme com o destino e cada um segue pra um lado, ai

O rapaz se conformou com aquela ingratid√£o
Ela se casou com outro, mas a sorte foi em v√£o
Cinco anoinhos já tinha seu filho de estimação
N√£o sai da oficina, inclinado a profiss√£o
Certo dia ele brincava na polia de transmiss√£o, ai

De repente o garotinho em uma grande gritaria
O motor foi desligado quando alguém se socorria
Tinha sido acidentado naquela mesma polia
Que depois de alguns anos mais dano cometia
Vendo seu filho aleijado em pranto sua mãe caía, ai

Até mesmo o destino esse inocente marcou
Pra pagar o grande erro que sua m√£e praticou
Desprezou o marceneiro honesto e trabalhador
E seu filho adorado igual o moço ficou
Hoje chora arrependia pelo castigo do amor, ai

Lobisomem
Foi por causa de um baiano que eu fiquei bem informado
De um caso assombroso que se deu no seu estado
Morava em Vila Velha um moço muito alinhado
E por toda redondeza era bem considerado
Por ter boa posição e ser filho do delegado

De todas moças que tinha o seu sonho adorado
Foi a filha do prefeito que caiu no seu agrado
O grande acontecimento por todos era esperado
Porque faltavam dois meses para ser realizado
Na igreja do lugar seu casamento marcado

Foi neste mio de tempo que surgiu no povoado
Causando diversos danos um bicho desfigurado
Tudo quanto n√£o prestava por ele era findado
Diziam ser lobisomem por que tinham atropelado
Pela filha do prefeito que voltava de um bailado

A moça ficou doente do grande susto levado
N√£o comia e n√£o dormia em gritos desesperados
Dizia que estava vendo aquele vulto ao seu lado
Seis doutores em volta dela e n√£o achavam o resultado
E seu noivo n√£o sabia porque tinha viajado

O prefeito aborrecido convidou o delegado
Formaram uma quadrilha de boiadeiro e soldado
Regulava meia noite estavam todos preparados
Dali a pouco aquela fera pulava dando uivado
Por se ver numa prisão de quatro laços trançados

No tronco de uma paineira ele pousou amarrado

Quando foi no outro dia foram ver o resultado
Uns gritavam de pavor outros caíam desmaiados
Por ver que aquela fera em gente tinha virado
E a pessoa que ali estava todo nu envergonhado
√Č o noivo de Suzana o filho do delegado

Laço do boi soberano
 
De S√£o Paulo a Goi√°s um fazendeiro seguia
O dia estava chuvoso a pista escorregadia
Seu automóvel de luxo na chuvarada rompia
E chegando no rio grande pra fazer a travessia
Numa forte derrapada saiu fora da estrada e dentro do rio caia

Lutando desesperado do seu carro ele saiu
O seu grito de socorro de longe um pi√£o ouviu
Galopando seu cavalo o fazendeiro ele viu
Entre as chuvas que caía com firmeza conseguiu
Jogar seu laço ligeiro e laçando o fazendeiro arrastou fora do rio, ai

O fazendeiro tremendo com a vos entrecortada
Foi agradecendo o pe√£o contando a vida passada
√Č a segunda vez que vejo minha vida amea√ßada
Na minha saudosa inf√Ęncia que sempre ser√° lembrada
Na cidade de Barretos fui salvo por um boi preto de um estouro de boiada

O pe√£o disse esse boi que o senhor esta falando
H√° muito tempo morreu, mas a fama vai ficando
E mesmo depois de morto continua lhe salvando
Ele deixou seu valor, ai, neste meu laço leviano
Este laço é meu tesouro ele foi feito do couro do famoso Soberano

Boiadeiro valente
Em uma cidade do interior um boiadeiro ricaço vivia
A sua vida era sempre viajando comprava boiada e também vendia
De saída pra uma viagem de despedida abraçou a família
Ele disse pra esposa querida essa viagem é comprida não sei quantos dias

Quando a tarde j√° ia morrendo e o negrume da noite descia
A mulher já estava jantando quando viu que alguém na porta batia
Era um pe√£o empoeirado que abrigo pra ela pedia
Sua vista j√° estava cansada e romper mais estrada ele n√£o resistia

Explicou que estava sozinha e por este motivo aceitar n√£o podia
Ele disse eu sou de confiança dou minha palavra como garantia
Passo a noite aqui mesmo na sala nesta minha baldrama macia
A senhora fique sossegada, pois eu vivo na estrada, mas tenho família

Pois os gatunos desta regi√£o bolaram um assalto durante o dia
Chegaram a noite arrombaram o telhado bem na direção que o peão dormia
O peão passou a mão no seu laço manejou com muita maestria
Um por um foi deixando amarrado e levou arrastado pra delegacia

Delegado abriu a gaveta e puxou um √°lbum de fotografia
Ficou constatado através do fichário diversos assaltos daquela quadrilha
O pe√£o disse assim para eles v√£o ficar em boa companhia
Me desculpe ter lhe incomodado senhor delegado até um outro dia

Prima Susana
Sou do Paraná vim de Apucarana 
Atravessei Xavantes na Sorocabana
Cheguei em São Paulo já faz três semanas
Na casa dos tios em Vila Mariana
Pra gozar os carinhos da prima Susana

Titio é mineiro, titia é baiana
Priminha é paulista tem uma cor bacana
√Č um pingo de orvalho quando cai na grama
√Č a flor mais linda que tanto me ama
Eu n√£o posso ir embora e deixar a Susana

Foi pra Mato Grosso l√° pra Aquidauana
Priminha foi junto na besta ruana
Pros mato-grossenses nós deixamos a fama
Misticinho arisco da guampa travana
Dava berro no laço da prima Susana 

O Tito ta bravo igual caninana
Ta me perseguindo e quer me por na cana
J√° comprou shimith e faca lapiana
Priminha me ama e n√£o desengana
Eu prefiro morrer mas não deixo a Susana 

Mķsicas do Šlbum Os Reis Da Moda De Viola (LPITAM 2067) - (1981)

Nome Compositor Ritmo
Velho Pe√£o Sulino / Teddy Vieira Moda de Viola
Folha Da Espada Anízio Teodoro / Abel Moda de Viola
O Milagre Do Retrato Sulino / Paulo Calandro Moda de Viola
Fita Verde Iolando Mondim / Caim Moda de Viola
Berrante Assassino Oscar Martins / João Corrêa Moda de Viola
O Poder Da Fé Zé Claudino / Caim Moda de Viola
Menino Boiadeiro Tanabi / Abel Moda de Viola
Castigo De Amor Zé Dourado / Piracicaba Moda de Viola
Lobisomem Piracicaba Moda de Viola
Laço Do Boi Soberano Jesus Belmiro / Caim Moda de Viola
Boiadeiro Valente Tomaz / Mato Grosso Moda de Viola
Prima Susana Abel / Anízio Teodoro Moda de Viola
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