Viola Cabocla (CALP 8049) - (1973) - Ti√£o Carreiro e Pardinho

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Viola Cabocla
Viola cabocla n√£o era lembrada
Veio pra cidade sem ser convidada
Junto com os vaqueiros trazendo a boiada
O cheiro do mato e o pó da estrada
Fez grande sucesso com a disparada

Viola cabocla feita de pinheiro
Que leva alegria pro sert√£o inteiro
Trazendo saudade dos que j√° morreram
Nas noites de lua tu sai no terreiro
Consolando a m√°goa do triste violeiro

Viola cabocla é bem brasileira
Sua melodia atravessou fronteira
Levando a beleza pra terra estrangeira
Do nosso sertão é a mensageira
√Č o verde amarelo da nossa bandeira

Viola cabocla seu timbre n√£o falha
Criada no mato com a samambaia
Veio pra cidade de chapéu de palha
Mostrou seu valor vencendo a batalha
Voltou pro sert√£o trazendo a medalha

O Menino Da Porteira
Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava afigura de um menino 
Que corria abrir a porteira depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço que é pra mim ficar ouvindo
Quando a boiada passava que a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando
Obrigado boiadeiro que Deus v√° lhe acompanhando
Pra aquele sert√£o afora meu berrante ia tocando

No caminho dessa vida muito espinho encontrei
Mas nem um calou mais fundo do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada o menino n√£o avistei
Apeei do meu cavalo num ranchinho beira ch√£o
Vi uma mulher chorando quis saber qual a raz√£o
Boiadeiro veio tarde veja a cruz no estrad√£o
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem 
Quando eu passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido t√£o triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem
A cruzinha do estrad√£o do pensamento n√£o sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure que eu precise ir atr√°s
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais

Cavalo Enxuto
Eu tenho um vizinho rico fazendeiro endinheirado
Não anda mais à cavalo só compra carro importado
Eu conservo a minha tropa e o meu cavalo ensinado
O fazendeiro moderno só me chama de quadrado
Namoramos a mesma moça vejam só o resultado

Um dia a moça falou pra não haver discussão
Vamos fazer uma aposta a corrida da paix√£o
Grã-fino corre no carro, você no seu alazão
Eu vou pra minha fazenda esperar l√° no port√£o
Quem dos dois chegar primeiro vai ganhar meu coração

Ele calibrou os pneus, apertou bem as ruelas
Eu ferrei o meu cavalo que tem asas nas canelas
O gr√£-fino entrou no carro, pulei em cima da cela
Ele funcionou o motor, fechou as quatro janelas
Chamei o macho na espora bem por baixo das costelas

Eu entrei pelo atalho pulando cerca e pinguela
Quando terminou o asfalto ele entrou numa esparrela
Numa estrada boiadeira toda cheia de cancela
Cheguei no port√£o primeiro dei um beijo na donzela
Quando o grã-fino chegou, eu já estava nos braços dela

O progresso é coisa boa reconheço e não discuto
Mas aqui no meu sertão meu cavalo é absoluto
Foi Deus e a natureza que criou este produto
Esta vitória foi minha e do meu cavalo enxuto 
A menina hoje vive nos braços deste matuto 

Casando Fugido
Tenho meu burrão de raça que é uma taça lá no meu retiro
Pra falar mesmo a verdade em qualquer cidade ele enfrenta tiro
Quando levanto meu braço ele espicha o passo e dá um suspiro
Meu burrão já está na história tem tantas vitórias que até me admiro

Na cidade de Campinas tem uma menina disse que me ama
Fui pedir a mão da moça o velho fez força quase que nós trama
A moça muito faceira sem fazer zoeira se jogou na cama
Garantiu pro meu amigo de fugir comigo no burr√£o de fama

Chegando o dia marcado eu saí armado pra encontrar com ela
Mas como o prédio era baixo encostei o macho na sua janela
Quase que cai de susto quando vi o busto da linda donzela
Me veio no pensamento era o casamento em qualquer capela

Saímos cortando estrada já de madrugada no burrão ruano
O pai dela era um torpedo que até dava medo de ver o baiano
Eu fazia fé no trinta que tinha na cinta com um palmo de cano
Trinta balas na guaiaca dois palmos de faca que fazia dano

Bem antes de nós casar eu mandei soltar o burrão no pasto
Quando voltamos da igreja mandei ver cerveja da venda do Basto
Ai chegou o baiano que veio bufando em cima do rasto 
Confessou no meu ouvido casando fugido é menor o gasto

Vencendo Sempre
Companheiro afirme o peito vamos cantar bem direito
N√£o vamos mostrar defeito no estilo nordestino
Eu sou filho de baiano, neto de paraibano
Mas sou piracicabano que canto desde menino
Apesar de ser paulista, mas no estilo nortista qualquer cabra eu ensino

No estado de Alagoas eu venci muitas pessoas
Eu ganhei de gente boa no sert√£o alagoano
Quando eu cheguei na Bahia eu cantei com voz macia
A baianada dizia viva o piracicabano
Eu cantei dentro da linha dentro da profiss√£o minha balancei o ch√£o baiano

Eu cantei de sul ao norte eu venci violeiro forte
Nunca precisei de sorte para mim sair vencendo
Até o presente momento não é por convencimento
Eu tenho o pressentimento que nunca saio perdendo
Meus versos são caprichados, além disso, é bem cantado conforme vocês tão vendo

Eu entro na cantoria da noite eu faço o dia
E no campo da poesia com nada me atrapalho
J√° topei violeiro macho derrubei o seu penacho
Joguei o caboclo em baixo eu dou tombo, mas n√£o caio
Se um dia Deus me chama eu morro, mas deixo a fama e minha fama d√° trabalho

As Três Verdades
Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

As três verdades da vida não podemos esconder
As três verdades da vida para o mundo vou dizer
As três verdades da vida o mundo tem que saber
As três verdades da vida, nascer sofrer e morrer
As três verdades da vida, nascer sofrer e morrer

Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

Desde o dia em que nasci no mundo vivo sofrendo
Amando sem ser amado sem amor estou vivendo
Gosto de alguém nesta vida que muito me faz sofrer
As três verdades da vida, nascer sofrer e morrer
As três verdades da vida, nascer sofrer e morrer

Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

Quem vive ama quem ama chora
Quanta gente neste mundo
Por amor sofrendo agora

Vou Tom√° Um Ping√£o
Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Ela foi embora partiu pra longe e eu fiquei sozinho
Ela foi chorando sentindo pena em me deixar
Qualquer dia desses fico de fogo e saiu zoando
Onde ela mora juro por Deus que eu vou morar

Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Ela foi embora partiu pra longe e eu fiquei sozinho
Ela foi chorando sentindo pena em me deixar
Qualquer dia desse fico de fogo e saiu zoando
Onde ela mora juro por Deus que eu vou morar
Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela n√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Oi, vida amargurada 
Quanta dor que sinto neste momento em meu coração
Oi que saudade dela 
N√£o ag√ľento mais vou l√° na vendinha tomar um ping√£o

Arrependida
Eu não sou culpado se hoje você chora foi você mesma que me abandonou
Implorei tanto pra n√£o ir embora as minhas suplicas n√£o escutou
Hoje você chora triste arrependida para aos meus braços você quer voltar
Você foi maldosa arruinou minha vida me compreenda não vou perdoar

Na sua ausência eu chorei de dor não suportei fui a sua procura
Encontrei você com um novo amor trocava beijos e fazia juras
Naquela noite fiquei embriagado amanheci bebendo num bar
Estava triste e desesperado chamei seu nome comecei chorar

Segue mulher vai viver de m√£o em m√£o
Porque o remorso pouco a pouco lhe consome
Sinto uma dor dentro do meu coração
Tenho vergonha por você usar o meu sobrenome

Pretinho Aleijado
Com mil e oitocentos boi eu saí de Rancharia 
Na praça de Três Lagoas cheguei no morrer do dia
O sino de uma igrejinha numa estranha melodia
Anunciava tristemente a hora da Ave Maria

Eu entrei igreja adentro pra fazer minha oração
Assisti um quadro triste me cortou meu coração
Um pretinho aleijado somente com uma das m√£os
Puxava a corda do sino cantando triste canção, ai, ai

Aquela alma feliz era o espelho à muita gente
Que tendo tudo no mundo da vida vive descrente
O meu negro coração transformou-se de repente
Ao terminar minha prece era um homem diferente

No outro dia com a boiada saí de madrugadinha
Muitas l√©guas de dist√Ęncia esta not√≠cia me vinha
Um malvado desordeiro assaltou a igrejinha
E matou o aleijadinho pra roubar tudo que tinha, ai, ai

O sino de Três Lagoas vivia silenciado
E eu com meu parabelo andava atr√°s do malvado
Voltando nesta cidade vi o povo assustado
Diz que o sino a meia noite sozinho tinha tocado

Quando entrei na igrejinha uma voz pra mim falou
Jogue fora esta arma n√£o se torne um pecador
Tirar a vida de um crist√£o compete a Nosso Senhor
Conheci a voz do pretinho o meu ódio se acabou, ai, ai

Meu Passado
Se os dias do meu passado renascessem novamente
Eu teria ao meu lado quem eu amo loucamente
Meus sonhos teriam vida meus l√°bios beijos ardentes
Eu n√£o padecia mais, afogando os meus ais e a dor que meu peito sente

Se voltassem meus cabelos a cor de antigamente
As rugas que me envelhecem se acabavam simplesmente
Minhas pernas enfraquecidas ficariam resistentes
Eu seguia a minha estrada procurando minha amada que eu perdi para sempre

Vai bem longe aquele tempo que jamais me sai da mente
Levando a felicidade que passou t√£o de repente
Assim como o vento passa vai pra outros continentes
Passou minha mocidade só deixando por maldade a velhice no presente

Vivo mergulhado em pranto a fingir que estou contente
Carregando sofrimento que aos poucos mata a gente
No silêncio dos meus dias eu alcançarei somente
O final da minha estrada onde eu encontro morada pra morar eternamente

Arroz A Carreteira
Eu deixei meu Rio Grande lá no sul do meu país
Me arribei por esta bandas esperando ser feliz
Hoje aqui longe dos pagos, da querência e do galpão
A saudade é mais amarga do que o próprio chimarrão

Minha china prometida eu deixei lá em Caxias 
Deixei rasto em Passo fundo perto de Santa Maria 
O ga√ļcho da cochilha √© que nem ao um beija flor
Por toda parte que passa sempre deixa um velho amor

Santana do Livramento esta saudade é cruel
Ajudai-me São Leopoldo e também São Gabriel
Quem me dera estar agora onde o pensamento vai
Pra rever a minha china e também meu velho pai

O arroz a carreteiro que a minha velha fazia
Era o prato mais gostoso do rinc√£o onde eu vivia
Tenho medo do regresso ao pensamento me vem
Pois talvez que lá chegando não encontre mais ninguém

Nosso Romance
Chora viola apaixonada que o seu dono tem paixão e também chora
Quanta gente por amor est√° sofrendo igual a eu suspirando toda hora

Pra onde foi a mulher que mais eu amo
Pode estar perto também pode estar distante
Meu Deus do céu não existe dor maior
Do que a dist√Ęncia que separa dois amantes

Onde andar√° a paix√£o de minha vida
Ser√° que canta ou ser√° que est√° chorando
Se nessa hora ela estiver me ouvindo
Perd√£o querida se te maltrato cantando

Chora viola apaixonada que o seu dono tem paixão e também chora
Quanta gente por amor est√° sofrendo igual a eu suspirando toda hora

Tenho certeza que ela nunca se esquece
Nunca esquece daquelas horas t√£o belas
O nosso mundo pequenino foi t√£o lindo
Quatro paredes uma porta e uma janela

Fomos felizes num pedacinho de mundo
Só o silêncio estava de sentinela
Aquele beijo que durou quinze minutos
Depois meu braço foi o travesseiro dela

Mķsicas do Šlbum Viola Cabocla (CALP 8049) - (1973)

Nome Compositor Ritmo
Viola Cabocla Piraci / Tonico Toada Ligeira
Menino Da Porteira Teddy Vieira / Luizinho Cururu
Cavalo Enxuto Lourival Dos Santos / Moacyr Dos Santos Pagode
Casando Fugido Piraci / A. P. De Toledo Rasqueado
Vencendo Sempre Piraci / Lourival Dos Santos Roj√£o
As Três Verdades Piraci / Lourival Dos Santos Balanço
Vou Tomá Um Pingão Léo Canhoto Rojão
Arrependida Garcia / Z√© Mat√£o / Jo√£o Campeiro Guar√Ęnia
Pretinho Aleijado Teddy Vieira / Luizinho Cururu
Meu Passado Dino Franco Cururu
Arroz A Carreteira Palmeira / M√°rio Zan Polca
Nosso Romance Lourival Dos Santos / Ti√£o Carreiro Roj√£o
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